Dr. Death: Série do Starzplay conta história de cirurgião que mutilava pacientes

 Estrelada por Joshua Jackson (Dawson's Creek, Fringe), Dr. Death (2021) chegou ao Brasil neste domingo (12) ao estrear com exclusividade no Starzplay. Originalmente uma produção do Peacock, serviço de streaming da rede NBC, a minissérie de oito episódios conta a história real de um cirurgião dos EUA que se tornou famoso por mutilar pacientes.


A produção foi inspirada no podcast de mesmo nome produzido pela Wondery. Nele, foi retratada a história de ascensão e queda de Christopher Duntsch (Jackson) A trama conta a história de Christopher Duntsch (Jackson), uma jovem estrela da medicina norte-americana com um futuro que parecia ser brilhante, mas que terminou atrás das grades pelo resto da vida.

Inteligente e charmoso, Duntsch conquistou a confiança de chefes e companheiros por onde passou. Com um currículo impecável, boas referências e ótimas notas na faculdade, era impossível negar a ele uma posição para operar nos melhores hospitais do Texas e Tennessee, estados norte-americanos por onde passou.

O problema é que, na mesa de operação, Duntsch mais parece um açougueiro do que um cirurgião. Procedimentos cirúrgicos complexos, mas de fácil execução para médicos experientes, se transformavam em horrores para os pacientes. Se eles entravam aguardando uma retirada de hérnia, poderiam sair paraplégicos ou até mortos.

"Acordei em um pesadelo", "O que ele fez comigo?" e "Parece que piorou tudo" são algumas das declarações feitas pelos pacientes após passar pelas mãos de Duntsch. Ao longo dos oito episódios, Dr. Death (Doutor Morte, em português), mostram como o lado podre do sistema de saúde dos EUA permitiu que um péssimo cirurgião passasse anos ceifando vidas inocentes.

Sua derrocada começa quando o neurocirurgião Robert Henderson (Alec Baldwin) e o cirurgião vascular Randall Kirby (Christian Slater) entram em cena. Ao notarem as atrocidades feitas pelos colegas na sala de cirurgia, a dupla começa uma caçada para descobrir como, mesmo após tantas demissões e reclamações, Duntsch continuava com permissão para seguir operando.

Mistura de suspense com drama médico, Dr. Death tem seus melhores momentos na hora de provocar tensão. Mesmo que seja impossível para o espectador padrão compreender inúmeras frases relacionadas ao mundo da medicina --formação em Grey's Anatomy não conta--, o foco é chocar com os horrores realizados pelo protagonista. Especialistas ou não, é perceptível ver que o que Jackson faz na mesa de operação é errado.

Para explicar como um jovem com potencial se transformou em um médico sociopata, a série retorna ao seus tempos de juventude. Desde sempre, Duntsch era dominado pelo seu ego e a incapacidade de aceitar não ser perfeito. Ciente de suas limitações, ele se recusava a admitir quando estava errado, o que abriu caminho para os horrores cometidos nos hospitais.

Dominante no elenco, Jackson retrata as várias facetas de Duntsch com perfeição. O ator vai de playboy narcisista a valentão desesperado em instantes, mostrando que por trás da capa de jovem brilhante havia um homem inseguro e cruel.

Do outro lado, a química entre Alec Baldwin e Christian Slater é tanta que a dupla poderia estrelar um spin-off envolvendo medicina e investigação sem qualquer relação com Duntsch. Henderson é sério e meticuloso, enquanto Kirby é precipitado e malandro --um encaixe quase perfeito.

Dr. Death escancara o lado podre do sistema de saúde norte-americano e como a corrupção e negligência o torna a terceira maior causa de morte nos EUA. Saber que Duntsch está atrás das grades na vida real é reconfortante, mas acompanhar seu trabalho de horror mostra que muitos ainda podem sofrer com as falhas em uma estrutura que, na teoria, é responsável por salvar vidas.

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